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22.3.09

A Bunda, que Engraçada

   
  A bunda, que engraçada. Está sempre sorrindo, nunca é trágica. Não lhe importa o que vai pela frente do corpo. A bunda basta-se. Existe algo mais? Talvez os seios. 

Ora - murmura a bunda - esses garotos ainda lhes falta muito que estudar.
     A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio. Anda por sina cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente. A bunda se diverte por conta própria. E ama. Na cama agita-se. Montanhosa volumam-se, descem. Ondas batendo numa praia infinita. Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz na carícia de ser e balançar. Esferas harmoniosas sobre o caos. A bunda é a bunda, redunda.

Autor: Carlos Drummond de Andrade.
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